Ronaldo [Bastos] inventou os “socorros-costa”. Isso significava as ajudas sem cunho de parceria que prestávamos às letras uns dos outros. Primeiro isso começou entre ele e eu. Depois, estendemos a prática também para letras de Murilo Antunes; quer dizer, ele foi admitido na “instituição”. Na prática, funcionava mais ou menos assim: Ronaldo, por exemplo, estava compondo a letra de “Amor de Índio”. No finalzinho da música faltou inspiração. Então me mostrou o que já tinha escrito e eu introduzi dois versos:
“abelha fazendo mel
vale o tempo que não voou”
Isso não merecia ser chamado de parceria. Era chamado de “socorros-costa”
Márcio Borges, em Os sonhos não envelhecem – Histórias do Clube da Esquina
Publicado originalmente no blog Livros e Pessoas.